quinta-feira, 1 outubro, 2015

Mais Médicos completa 2 anos com boas histórias para contar

Todos os dias, o médico cubano Amado Moises Madruga, 46, é recebido na Unidade de Saúde da Família (USF) Recanto da Lagoa, no bairro de Fazenda Coutos, por uma extensa fila de pacientes que o aguardam para consulta. Simpático, ele os cumprimenta um a um, chamando-os pelo nome. Quem vê o sorriso do médico sequer imagina que, antes de chegar ao posto, ele precisou acordar às 4h30, pegar dois ônibus lotados e fazer um percurso de quase uma hora e meia entre o bairro onde mora e o local de trabalho. Amado é especialista em atenção básica e integra a primeira turma de profissionais estrangeiros selecionados pelo programa Mais Médicos, do governo federal, que completou dois anos na última semana.

Ele e a esposa – a também médica Nilza Ortiz – foram alguns dos primeiros cubanos a desembarcar em Salvador em 2013. Após dois anos na Bahia, o médico acredita ter conseguido alcançar dois importantes objetivos pessoais: conquistou a confiança da comunidade e aperfeiçoou os  conhecimentos em saúde pública. “Cada consulta é um aprendizado. Pouco a pouco, a gente vai  sentindo-se parte da história de vida de cada paciente. Perceber que estamos construindo essa relação de confiança mútua é gratificante”, disse.

A mesma sensação é compartilhada pela médica mexicana Rosa Isela Delgado, 33. Nascida na Cidade do México (México), ela atua há dois anos na USF do bairro de Jussara, município de Feira de Santana (a 108 km da capital baiana). Apesar das dificuldades enfrentadas no dia a dia, como a falta de estrutura do posto de saúde e a carência de alguns medicamentos, ela conta que já acumula resultados positivos entre os pacientes da comunidade. “Caminhamos a passos pequenos. Mas já percebo grandes conquistas, como o controle das doenças crônicas e a melhora no estado de saúde geral da população do bairro. Encaro meu trabalho como um compromisso social”, disse a mexicana.

Distância

Entre os intercambistas, a total dedicação à saúde da comunidade é, ainda, uma forma de driblar a saudade. Para participar do programa, o médico Amado precisou deixar os dois filhos, de 6 e 18 anos, sob a responsabilidade de familiares em Havana (Cuba). “Entre uma consulta e outra, olho as fotos dos meus filhos e a saudade aperta. Nos falamos uma vez por semana, pois as ligações são caras. Mas sei que, aqui, também precisam de mim, então não posso desistir”, afirmou.

Apesar de a remuneração ser menor que a dos demais profissionais do programa – os cubanos recebem R$ 3 mil mensais, R$ 7 mil a menos que os outros intercambistas -, Amado conta que o dinheiro  ganho ajuda-o a arcar com as despesas dos filhos e dos pais, já idosos. “Em Cuba, um médico ganha em torno de US$ 60 (cerca de R$ 190) por mês. Lá, vivíamos uma vida humilde, mas confortável. Aqui, o custo de vida é alto, mas consigo juntar dinheiro para garantir um futuro melhor para a família”, afirmou.

Fonte: A Tarde

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